Plas Aiyti

Plas Ayiti (Praça Haiti, em creole) é o nome com o qual imigrantes haitianos rebatizaram informalmente a Praça Tiradentes, logradouro central em Curitiba. Esta é a quarta cidade que mais recebe haitianos no país, presença que se mostra de modo nítido nessa capital constituída historicamente por migrações de origem europeia, estabelecidas por volta do início do século XX.

Plas Ayiti (2014), o filme, é o encontro entre três artistas e esses refugiados do terremoto e da falta de perspectiva econômica, que chegam atraídos por uma imagem de Brasil que não corresponde à realidade, mas que talvez represente o destaque dado a nações emergentes nos veículos midiáticos na última década. Mas esse Brasil tido como “potência econômica”, como uma nova visão do paraíso, termina por oferecer inúmeras dificuldades a esses migrantes, que vão de condições inferiores de trabalho a agressões xenofóbicas.

Plas Ayiti não é um documentário. É um processo de trabalho que envolveu o estabelecimento de relações com grupos de haitianos, oficinas de vídeo, conversas e, finalmente, a proposta de elaborar, produzir e atuar num filme pensado a partir das preocupações, anseios e afetos relatados por esses imigrantes (tema abordado pelo problema das identidades móveis, do deslocamento físico e emocional, da linguagem – e não por uma suposta natureza haitiana). E justamente aí, nas frestas do encenado, vaza algo que poderíamos chamar de realidade.

Em 2014, o filme foi exposto no Museu da Gravura Cidade de Curitiba.

Ficha técnica: Carlos Kenj, Daniel Yencken, David Limose, Felipe Prando, Serge Norestin, Team Fresh. Plas Ayiti, Vídeo digital HD, 3 canais áudio estéreo, 1280×720 cor, 16′, loop, 2014.

Material de Divulgação:

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