Fábrica (Campo de Batalha) apresenta um atravessamento de histórias, pessoas e paisagens cujas distâncias correspondem a mais de 200 anos: a do extermínio de uma comunidade Kaingáng (1796) e de uma classe operária (a partir dos anos 1940) em um território ocupado e controlado por uma grande fábrica de papel, na cidade de Telêmaco Borba-PR.
Campo de Batalha é uma expressão militar que designa um território escolhido previamente e preparado como uma armadilha para a qual o inimigo é encaminhado através da persuasão, ou outra forma subliminar.
A história “oficial” registra a transmissão e manutenção do poder econômico como os nomes dos fazendeiros da região desde antes do extermínio kaingáng e nos permite considerar os donos da fábrica como sucessores dos donatários do século XVIII. Da outra parte da história, a dos indígenas e dos operários, os relatos e imagens são praticamente inexistentes. Haveria alguma relação entre a população da região, trabalhadores da fábrica e os kaingáng? Estes fios soltos algum dia foram parte de uma mesma trama?
>> Exposição ‘Antes e agora, longe e aqui dentro’, Museu Oscar Niemeyer – MON, Curitiba-PR, 2024.
O trabalho Fábrica (Campo de Batalha) esteve na exposição “Antes e agora, longe e aqui dentro” no @museuoscarniemeyer com a curadoria da @galcianineves. A mostra apresentou trabalhos que discutem as relações indissociáveis entre corpo e território e os muitos modos de habitar, ser e registrar paisagens, propondo paisagens: aquilo que avistamos ao longe, que definimos como um recorte de um lugar, o que está perto demais (como a palma da mão) ou a distância entre duas pessoas, uma construção de partilha com o tempo e o lugar”.








































